Estamos vivendo a era do consumidor. Mais do que nunca, profissionais da comunicação têm que mudar seu foco e passar a entender o que motiva os diversos públicos a consumirem produtos, serviços, conceitos, idéias. Se no passado recente a televisão era hegemônica e qualquer campanha de sucesso obrigatoriamente tinha que incluir essa mídia, nos dias de hoje as audiências estão dispersas. As mídias se multiplicaram numa velocidade impressionante. O consumidor tem um acesso ilimitado à informação, passou de receptor a produtor de conteúdos e tem o poder de consolidar ou acabar com a reputação de uma marca.
Enquanto isso, do lado de cá do balcão, como estamos planejando nossas campanhas? Continuamos acreditando que um VT de 30 segundos vai atingir todo o nosso público-alvo? Incluímos ações de Internet apenas para cumprir tabela? Apresentamos uma proposta que possa ser adaptada às mídias e atenda ao briefing? Estamos em busca de inovação ou de repetir as velhas fórmulas que davam certo na era da comunicação de massa? Sabemos quem faz parte da geração Y? Conhecemos o perfil da ascendente classe média? Buscamos informações sobre nossos clientes e seus produtos no orkut?
É hora de refletir sobre o processo de comunicação que vai trazer resultados para o cliente. O consumidor tem a atenção dispersa entre várias mídias e cada vez mais faz suas escolhas baseado na opinião de outros consumidores. As redes sociais se fortalecem na Internet e existe espaço para se falar de tudo, seja em blogs, em comunidades ou fóruns virtuais. Os jornais registram queda do número de assinantes e migração para formatos digitais. Os estímulos são variados e os planos de mídia e criação precisam acompanhar este ritmo.
Isso quer dizer que teremos todos que migrar para as mídias digitais? É o fim da TV, dos jornais? Não necessariamente. Teremos que descobrir onde está a atenção do nosso público e achar o melhor formato de falar com ele, seja em casa, no carro, no trabalho, no lazer. Em São Paulo, onde a lei Cidade Limpa retirou out doors das ruas, empresas investem em ações inovadoras, transformando em mídia o que antes era apenas espaço de circulação.
Pensar diferente não quer dizer abandonar os formatos bem sucedidos, mas apresentar ao cliente as respostas que ele busca para falar de maneira eficaz com seus públicos. Investir em mídia de massa continua importante, mas é possível personalizar mensagens, regionalizar conteúdos, investir em formatos de mídia que façam com que o consumidor sinta-se exclusivo.
Nesta edição de “Os especialistas da comunicação” vamos discutir novos caminhos e alternativas de comunicação mercadológica e institucional. Trazemos um pouco das reflexões dos principais profissionais do país, discutidas durante o IV Congresso Brasileiro de Publicidade, realizado em São Paulo. Uma outra matéria apresenta alguns conceitos importantes de comunicação corporativa, gestão do relacionamento com público interno, gestão de crises, relacionamento com governos, entre outras ferramentas que contribuem para a consolidação da imagem das organizações. O mercado é promissor e exige um pensamento diferenciado, fora do quadrado das soluções padronizadas da comunicação de marketing.
Pensar fora do quadrado é o único caminho possível para o futuro da comunicação. O que funcionou até agora pode deixar de funcionar. O consumidor pode tirar uma campanha do ar, provocar mudança nos processos da empresa, promover o sucesso de uma campanha. Essa nova era, denominada “Idade Mídia” pelo jornalista Joelmir Betting, está apenas começando e sua velocidade acelerada vai exigir muito de todos nós. Que tal começar a se preparar?
Você foi bonzinho este ano???
2008 trouxe algumas novidades que parecem ficção científica.
É o futuro chegando e nós estamos "parmos", como diz o velho Mução.
Apresentador em Holograma na CNN, ao vivo!!! George Lucas, morra de inveja.
A capa comemorativa do 75o aniversário da revista Esquire, utilizando a tecnologia e-ink, a tinta digital que chegou para mudar a mídia impressa.
Anúncio da Ford na mesma Esquire, também em papel digital.
Crise, o grande trampolim para a publicidade digital
Janet Bravo
Será que a crise financeira pode se converter em oportunidade definitiva para a publicidade digital? O artigo argumenta sobre os riscos da diminuição dos investimentos em marketing e como o mercado ficará depois da crise.
Nos EUA, os meios de comunicação enfrentam atualmente a maior crise de publicidade desde a Grande Depressão. A queda acumulada de receitas por anúncio na imprensa escrita já passou de 14%, e pode ultrapassar os 20% até o final do ano, de acordo com dados da Newspaper Association os America (NAA), organização sem fins lucrativos que representa os jornais americanos. Na Espanha, os dados não são mais encorajadores, já que o mercado publicitário pode cair este ano mais de 9%, de acordo com previsões da Zenith Vigia — estudo produzido pela agência de publicidade Zenithmedia. Só a Internet, cujo crescimento é de cerca de 20%, e os canais temáticos, com crescimento pouco superior a 6%, se salvam do pessimismo generalizado.
Com ligeiras variações, esses números se repetem em diferentes países da América e da Europa, e podem piorar nos próximos meses, já que a incerteza gerada pela crise financeira deixou em alerta as empresas no mundo todo que preparam atualmente o orçamento de marketing e de publicidade para o próximo exercício. Manuel Alonso, especialista em marketing digital da escola de negócios IE, explica que “o corte de investimentos em publicidade coloca para as empresas o desafio de conseguir os mesmos leads (clientes em potencial) com menos impacto, daí o empenho para que sejam de melhor qualidade e mais afinadas com seu target (cliente objetivo). É nesse sentido que a maior capacidade de segmentação da publicidade digital pode ajudar e muito”.
Será que a crise financeira pode se converter em oportunidade definitiva para a publicidade digital? Para Alonso, isso já está acontecendo, “já que se trata do único setor que cresce em meio à turbulência atual. Os cortes nos orçamentos de marketing impulsionam a busca por canais onde se possam investir apenas alguns poucos GRPs (gross rating points, índice que mede o impacto de uma campanha) tradicionais e que hoje estão caros demais para o orçamento de que as empresas dispõem”. Para o diretor de meios digitais da Zenithmedia, Ricardo Molero, “em tempos de crise, os anunciantes procuram mais do que nunca otimizar seus investimentos. Os meios digitais, e também a televisão, permitem às marcas obter um ROI (retorno sobre investimento) maior. Nesse sentido, achamos que os anunciantes darão preferência aos meios digitais, buscando otimizar custos por impacto e maximizar o retorno. Sem dúvida, os meios digitais sairão mais fortes da crise”.
Em meio a um clima de desconfiança financeira, “muitas empresas, que não tinham provado ainda o meio digital como canal publicitário, dão seus primeiros passos e, em boa parte dos casos, obtêm bons resultados, rendendo-se ao meio. A crise, portanto, está fazendo com que contas publicitárias nada desprezíveis migrem para o meio digital. Trata-se de um capital que não voltará facilmente aos meios tradicionais”, avalia o professor do IE. Moreno salienta que, “nos últimos anos, vimos assistindo ao crescimento exponencial dos investimentos em meios digitais e a uma queda paulatina em meios tradicionais, como o rádio e a imprensa. Na verdade, as últimas previsões de investimentos publicitários elaboradas pelo grupo de publicidade Zenithmedia são extraordinariamente positivas para o meio Internet, apesar da crise atual. Prevê-se que a Internet absorva 13,8% dos investimentos publicitários em 2010”. No ano passado, a publicidade na Web faturou 36 bilhões de dólares em todo o mundo, conforme dados da Zenithmedia. As previsões para 2008 mostram um crescimento superior a 20%, tendência essa que se manterá nos próximos anos até atingir 61 bilhões de dólares em 2010.
Os riscos de não investir em publicidade
O diretor da Zenithmedia explica que, em tempos de crise, “a teoria recomenda não reduzir o orçamento de marketing. O silêncio de uma marca será aproveitado por um de seus concorrentes, que lhe roubará participação de mercado e visibilidade. Contudo, na prática, são muitas as empresas que, como primeira medida em tempos de dificuldades, optam pelo corte de custos na área de comunicação. Algumas são mais inteligentes nesse sentido e sabem da grande oportunidade que as crises geralmente oferecem. Todavia, a realidade tem uma força enorme, e se alguém trabalha no setor de automóveis — cujas vendas caíram até 40% em agosto passado na Espanha —, sabe perfeitamente que as contas de marketing encolheram”. O mau comportamento das vendas é também, na opinião de Manuel Alonso, um dos principais motivos da má fase do setor publicitário. “A queda de quase 9% em investimento publicitário até este momento se deve a cortes nos orçamentos de marketing impulsionados pelas quedas nas vendas na esteira da crise. No momento em que a crise amainar, veremos os investimentos crescerem novamente. Não se pode vender coisa alguma sem antes tornar pública sua mensagem comercial.”
Novos formatos
A solução a curto prazo para as empresas passa então pelo investimento em meios que, a princípio, são mais baratos e podem produzir o mesmo impacto que os canais tradicionais. O especialista em marketing digital do IE revela a existência de cerca de 50 novos formatos diferentes de publicidade nos meios digitais, e cita como exemplos as redes sociais (Facebook), o marketing em buscadores de celular e os advergames (jogos interativos que comunicam os valores de uma marca).
Graças às novas tecnologias diz Ricardo Molero, “os diferentes aparelhos aos quais o indivíduo está exposto (celular, PC, consoles, mp3, PDA etc.) estão conectados entre si. Isto fez com que surgissem novas modalidades ou disciplinas digitais, como o marketing móvel, o fenômeno das redes sociais, o buzzmarketing (em que se aproveita um blog para fazer comentários de uma marca), a televisão sobre IP etc., os quais vêm ganhando força cada vez maior”. Além disso, o diretor da Zenithmedia assinala que as tecnologias de informação e de comunicação (TIC) também facilitaram a interação do consumidor com os meios de comunicação e com as mensagens publicitárias.
Os hábitos do consumidor mudaram muito graças à Internet. Os blogs estão se convertendo em rivais dos meios de comunicação tradicionais, já que não são considerados apenas como fonte de informação, mas também como sistema de relação interpessoal. Por exemplo, 70% dos internautas espanhóis entram em páginas desse tipo pelo menos uma vez por mês, de acordo com um estudo da agência de comunicação Universal McCann, que colheu a opinião de 17.000 usuários da Web em 29 países. A China lidera o mercado da blogosfera: 70% dos internautas têm seu próprio blog, num total de 42 milhões de blogueiros, ao passo que na Espanha esse número é de apenas 3 milhões.
O estudo mostra que 34% das pessoas que escrevem em blogs o fazem para dar sua opinião sobre uma marca ou um determinado produto. Por isso, as agências de publicidade não têm outra saída a não ser analisar esse tipo de expediente, conforme explica Juan Manuel Rebollo, diretor do departamento digital da Universal McCann na Espanha. Para Rebollo, embora não se possa afirmar que a inclusão de publicidade nos meios sociais seja uma aposta segura, não se pode negar que se trata de um novo canal. “As marcas e os profissionais de marketing precisam se adaptar rapidamente à revolução desencadeada por esses conteúdos geradores de consumo, já que cada novo estudo mostra um maior crescimento desses canais, principalmente de blogs e de videoclips”, observa Rebollo.
Vantagens da publicidade digital
Contudo, o que tem a publicidade digital que a torna tão atraente em tempos de crise? Para Manuel Alonso, esse modelo de publicidade oferece, de modo geral, “um ROI (retorno de investimento) melhor do que o tradicional”. Com relação à eficácia, isso “depende do quanto a campanha esteja bem ou mal articulada”, observa o professor do IE, para quem “a chave de uma boa estratégia publicitária não consiste em contrapor a publicidade digital à tradicional, e sim em alcançar o equilíbrio adequado no tipo de meio escolhido para chegar de forma mais eficiente ao target desejado. Toda boa campanha de uma certa envergadura deve ser integrada: atualmente, nenhuma campanha tradicional pode se considerar completa sem o componente digital, tampouco tem muito sentido (exceto para segmentos muito jovens) desenvolver campanhas 100% online”.
As grandes potências do mercado publicitário brasileiro começam a dar os primeiro sinais de que o pior que ainda está por vir, será ainda mais grave devido à sua falta de empenho na lição de casa.
Como em toda percepção de risco, a primeira reação instintiva é a defesa. Ato que, muitas vezes, pode ser feito de maneira impensada ou que talvez desafie a capacidade de raciocínio de um mercado que se julga tão inteligente.
A primeira manifestação pública de grande porte veio por parte da F/Nazca Saatchi & Saatchi, que publicou um anúncio de página inteira nos maiores jornais do Brasi, o que talvez ainda irá lhes render todo o “revés de regalias” de quem dá a cara tapa mas se esquece de caprichar no make.
É como se um rato olhasse para seu próprio rabo aprisionado por uma ratoeira e, no desespero do momento, tentasse partilhar com seu caçador a idéia de que existe um queijo ainda maior, que poderá ser dividido por todos.
Agências de grandes empresas brasileiras que apostaram erroneamente em manobras cambiais, tendo prejuízos homéricos da noite para o dia sofrem o doloroso e amargo momento da espera por um futuro ainda incerto, gerada pela desesperada suspensão de algumas campanhas e investimentos na publicidade.
Mas, peraí. Para onde vai o BV e, consequentemente, o whiskey das nossas crianças?
Como reagir quando a conta de apenas 1 desses clientes responde por mais de 50% do faturamento total da agência? Não seria hora de rediscutirmos o modelo de negócio onde agarra-se com unhas e dentes o BV e desvalorizam-se as idéias, o planejamento e todo o restante do know-how e o background envolvidos na “transpiração” de uma campanha?
Esse é o impacto negativo da venda de almas e de todo o “oba oba” que se tornou a concorrência pelas contas dos clientes. A gastrite que queima nossos estômagos é consequência de nossa voracidade, inversamente sentida em um momento onde passamos a sentir fome.
Que tal assumirmos nossa parcela de culpa na enfermidade e buscarmos por um remédio realmente eficaz?
Na tarde da segunda-feira (03/11), Roberto Setubal, presidente executivo do Itaú Unibanco Holding S.A., e Pedro Moreira Salles, presidente do conselho administrativo, afirmaram que apesar da fusão das instituições financeiras, por enquanto não haverá mudança nos logos e slogans das marcas.
"São duas marcas fortes de duas empresas fortes. É muito cedo para falarmos de mudanças. Primeiro, é preciso o Conselho [Cade – Conselho Administrativo de Defesa Econômica] aprovar a fusão para somente depois analisarmos essa questão de marcas", afirmou Setubal.
Pesquisas junto ao consumidor serão feitas para saber como trabalhar as marcas daqui para frente. "A nova comunicação será fruto de pesquisa e análises de mercado", disse Salles.
Com relação às agências de publicidade que atualmente atendem os bancos – a DM9DDB, DPZ e Africa atendem o Itaú, enquanto a F/Nazca S&S cria para o Unibanco – Setubal e Salles afirmaram que não haverá nenhuma mudança no momento. "Ficaremos com as quatro agências", disseram.
"Foi uma surpresa para todos. Eles administraram a fusão com uma habilidade fora do comum. Ainda não sabemos como será. O Roberto [Setubal] é quem vai decidir", comentou Roberto Duailibi, sócio-fundador da DPZ.
Também surpreso com a fusão, Márcio Santoro, vice-presidente da Africa, falou que vai aguardar para saber se a agência continuará atendendo a holding. "Estou surpreso e vim nessa coletiva como expectador para entender essa fusão. Agora, vamos aguardar", disse.
Mas até março do próximo ano, segundo Antonio Jacinto Matias, vice-presidente do Itaú, as agências poderão ficar tranqüilas porque não haverá nenhuma mudança. "A primeira decisão será manter as quatro agências de publicidade. Com relação ao logo e slogan, vamos esperar os estudos de mercado porque não faz sentido antecipar. Tem que ser feito de forma natural. E acredito que no primeiro semestre do próximo ano teremos um diálogo sobre a nova comunicação da holding", explicou Matias.
Já as marcas pertencentes aos bancos, Setubal disse que é preciso aguardar para saber quais marcas permanecerão e como serão trabalhadas. "Vamos continuar com a segmentação, mas vamos estudar a questão das marcas. Primeiro, temos que entender como o consumidor as valoriza. Algumas competem entre si. E será por meio de pesquisas e análises que vamos determinar quais serão trabalhadas em um segmento e quais em outros segmentos. Mas vamos implementar aquilo que for melhor para a instituição".
Após um ano de negociação silenciosa, disseram que o objetivo é que daqui a cinco anos o Itaú Unibanco ser um player global. A holding já nasce sendo a 17ª maior empresa financeira do mundo com um patrimônio líquido de R$ 52 bilhões. Ambos também afirmaram que não haverá programa de demissão e as agências bancárias serão somadas. "Não há porque buscar ganho adicional fechando as agências que, somadas, são quase quatro mil. Queremos ser uma companhia mais robusta e rentável", afirmou Salles.
Apesar da crise econômica mundial, Setubal e Salles estão otimistas com relação ao crescimento do País e por isso, resolveram firmar a fusão agora. "Este é um momento único no Brasil. Estamos muito otimistas. E não faríamos essa transação, deste tamanho, se estivéssemos com medo", comentou Setubal que aposta no crescimento da economia brasileira para o próximo ano em torno de 3%. "Acredito que em 2010 podemos crescer até 4%", disse.
Maria Fernanda Malozzi
Propaganda e Marketing
Pra quem não conheceu, Wassup foi uma campanha da Budweiser que é considerada um dos maiores fenômenos da propaganda de todos os tempos, imitada, parodiada, repetida.
Ela voltou agora, a serviço da propaganda política, com os atores originais, inclusive (envelhecidos).
Um clássico que vale rever.
Pra quem não conhece a original (se vc tem menos de 20 anos, ou estava em Marte).
Um dos VTs mais divertidos e surreais dos últimos tempos.
Eu acho que VTs assim passam a mensagem com uma eficiência incrível!!
Pra quem leu a carta, vale ver o vídeo.
Eu não vi o vídeo completo ao vivo, mas a edição me pareceu um tantinho tendenciosa para o lado de Fábio (apesar de eu achar que vídeo completo não mudaria a minha má impressão sobre as coisas que Nizan disse).
A carta que Fábio escreveu e circula por todas as agência do Brasil desde a quinta feira:
xxxxxx
Pessoal,
Achei que devia escrever a vocês para falar sobre o Maximidia e o debate/embate que eu travei com o Nizan.
Acho que não é novidade para os mais próximos e os nem tão próximos que tenho diferenças profundas, quase religiosas,
na visão sobre o que é e o que deve ser o negócio, o objetivo do trabalho, a missão, os processos, a forma e o conteúdo
do prodtuto final de uma agencia de propaganda, em relação ao dito personagem - pra mim, uma caricatura de ser-humano,
dublê de político populista e novo-rico deslumbrado, comediante de frases de efeito repetidas à exaustão, arremedo de
empresário anti-ético e criativo anti-estético.
Nunca escondi - nem dele - que o acho vil, pernicioso à nossa indústria, predador, oportunista, aproveitador, manipulador.
Nunca deixei de observar e comentar que todo o tempo em que ele esteve criador, foi um tempo que ele utilizou apenas para
forjar um personagem que, com tino e capacidade de observação, o levaria a ter seu próprio negócio, onde ele reproduziria não
aquilo que ele almejou como empregado mas, ao contrário, os piores modelos, os piores ambientes internos, piores lugares comuns,
entre todas as agencias em que ele trabalhou. Desde que isso, convenientemente, implicasse em fazê-lo mais forte, mais rico, mais poderoso.
Nizan é um caso típico de uma pessoa que quanto mais tem mais quer. E que quanto mais quer menos mede esforços e as
consequencias nefastas dos atos que ele pratica para ter mais. Ele é o exemplo pronto e acabado da insustentabilidade.
Se fosse presidente dos EUA não seria em nada diferente de Bush - só o discurso seria mais engraçado. Mas invadiria o
Iraque, deportaria estrangeiros, perseguiria minorias, poluiria a atmosfera, cagaria para o mundo. O que interessa para ele
é ele. E por ele, acha ele, que pode, ele, tudo.
Mas a minha questão mais vital em relação a ele, é o fato de que - queira eu ou não - ele se transformou em uma celebridade
da propaganda brasileira. Os incautos, os bobos da corte, os novatos, os leigos, os incultos, clientes inclusive, publicitários inclusive,
imprensa, principalmente, inclusive, o acham o máximo. E eu, que convivo muito bem com as minhas invejas, meus desencantos, meus
fracassos, não teria nada a objetar se ele o fosse de fato. Portanto não é este, em nenhuma hipótese, o meu problema com ele.
O meu imenso, colossal, infinito problema com ele é que, amparado por essa "populariadade", "unanimidade", "superioridade" ele diz o
que quer, do jeito e na hora que quer, destruindo o que quer, com voz e pompas de "representante da categoria".
Agencias que produzem trash for cash (ou, lixo por dinheiro, em bom português) existiram e existirão sempre. Na realidade,
em boa parte elas até nos ajudam a sermos melhor percebidos como inovadores, originais, cuidadosos, diferentes.
O Brasil, entretanto, é o único país do mundo onde a publicidade tem no discurso do seu maior expoente que "o que é bom é feito
para ser copiado", "propaganda criativa é bobagem", "eficiência é o contrário de originalidade", ou as pérolas que ouvimos no
próprio Maximídia "momento de crise não momento de inovar".
Ou seja: na falta de capacidade ou de vontade de fazer boa propaganda,
propaganda de qualidade (o que, obviamente, na nossa opinião passa obrigatoriamente por inovação, criatividade, excelência na execução e excitação do
pessoal interno de uma agencia de propaganda) o que ele faz - oficialmente - é nos colocar na posição de meninos traquinas,
revoltadinhos de plantão, criativos irresponsáveis que querem brincar com o dinheiro dos clientes, enquanto ele finge que é Jack Welch,
Warren Buffet ou Armínio Fraga. Nizan não sabe mais quem ele é. Ele é publicitário mas quer fingir que é analista econômico. Foi criativo
mas gostaria mesmo era de ser dono da Ambev. Tem um business microscópico mas arrota ares de colega de turma de um Jorge Gerdau.
Mas eu sei quem é Nizan. É um demagogo. Ele sabe bem que o discurso do tradicionalismo, do conservadorismo, da mediocridade, da pasteurização, agrada em cheio a uma imensa gama de bundões de plantão que preferem demitir do que investir. Preferem temer do que empreender,
preferem dividir os prejuízos, já que nos lucros ele posa com a esposa em sandálias de 3.200 reais em seu apartamento em Paris. Preferem disseminar o caos, porque a alegria dos bons momentos ele rega com champagne em festas particulares com celebridades estéreis e etéreas de ultima hora.
Na publicidade, que afinal é o meu negócio, embora sempre que eu fale nisso ele ache que o assunto está infantil demais (lembrem-se, ele é um
business man) ele sabe também que há bundões prontos a gastar mais para contratar uma meia dúzia de artistas famosos, cantando um jingle com uma logomarca formada por funcionários da empresa, do que se "arriscarem" a criar um posicionamento de verdade, uma linguagem proprietária, um estilo único e próprio.
Na visão desse chupa-sangue de plantão, ele está certo.
Tanto que acerta duas vezes com uma mesma tacada: acalenta os desejos mais primitivos de um ou outro cliente cagão e ainda fatura muito mais em cima do trouxa que tem que enfiar todo o dinheiro do mundo para ser ouvido/visto/lembrado com uma bobajada cheia de clichês e formulinhas baratas, que definitivamente não sobreviveriam a um plano de mídia comprado com poucos recursos. De quebra, ele ainda usa todo o seu arsenal de repetidores e baba-ovos da imprensa e arredores para confirmar que um monte de estrume na verdade é um pote de ouro. E o bobo alegre que aprovou e pagou pela campanha, acha que fez a coisa certa de novo.
Reis nus. Que se sentem vestidos com o melhor da tecnologia e design da indústria textil. E eu, daqui do alto da minha inocência, só
vejo que eles têm pênis pequenos.
Não é à toa que ele está tão preocupado com a crise de liquidez que todos vamos enfrentar nos próximos tempos. Ele sabe que o dinheiro,
quanto mais valioso e raro fica, melhor tem que ser aplicado. E, com menos dinheiro, é a inteligência o que a propaganda vai voltar a exigir.
Quanto mais economizarmos, compensados por uma mensagem forte e memorável, mais eficientes seremos para os nossos clientes.
Ninguém lembra de um amigo medíocre que fala pouco, alguns até se recordam de um amigo chato que fala muito, mas todos sentem saudades do amigo genial que falava coisas legais. Ou seja: o modelo de negócio dele desmoronou. A festa acabou para quem não passava de vendedor de um montão de espaço na mídia e começou para quem tem o Que e o Como dizer nesse espaço, que será inevitavelmente menor.
E isso ele não sabe fazer.
Isso foi o que suscitou o nosso duelo na última quinta feira.
Ao contrário do que ele ainda tentou fazer alguns crerem, eu não estava discutindo sobre o ofício da criação ou sobre "leões em Cannes".
Ao contrário do que ele fingiu que estava acontecendo, a nossa discussão não era sobre a criatividadezinha e os sonhos dos seus pequenos
criadores.
Nós discutíamos sim era sobre uma questão que, apesar de tudo, ele mesmo ainda tem senso crítico suficiente para entender, mesmo que
intimamente isso seja altamente doloroso, já que foi o que um dia ele mesmo já tanto defendera. Nós estávamos discutindo caráter.
Porque, ao contrário dos que não oferecem o melhor para os seus clientes por falta de recursos, talento, ferramental, essa mediocrização
a que ele está submetendo as agencias controladas por ele é um esforço premeditado para esvaziar toda e qualquer possibilidade de
que o discurso dos que fazem melhor, com mais interesse, mais cuidado, mais compromisso e mais responsabilidade se reestabeleça.
O trabalho que as agencias do Nizan faz, a maneira como ele trata seus funcionários, as propostas comerciais indecorosas que elas oferecem aos seus clientes, não seriam um problema tão grande se não fosse o fato, como eu já disse, de que o discurso que o embasa é avassaladoramente mais potente que o que nós e outros poucos como nós, conseguimos rebater daqui.
Quando alguém vende a alma ao demônio isso deixa de ser um problema exclusivamente dele quando esse alguém vai à Caras, à Exame e à Veja
para convencer a todos de que vender a alma é o certo.
E o que aconteceu de bom no final de tudo isso? Na minha opinião, várias coisas.
A primeira é que muitos agora viram que o que ele diz não é uma verdade. É uma opinião viciada, interesseira e oportunista.
E não é a opinião do resto do mercado.
Segundo, é que outros que pensam como nós entenderam que ele pode e deve ser confrontado.
Terceiro, é que se definiram claramente os discursos e as práticas no dia a dia. Agora, já pode-se começar a entender
que mediocridade e mesmice são apenas uma opção e, tanto são uma opção, que têm um lugar (ou um grupo) certo onde podem ser solicitadas.
Mas existem sim outras opções e nós estamos na ponta entre as agencias de propaganda latu-sensu que oferecem essa opção.
Quarto, é que sempre é bom ver os que se fazem de bonzinhos e corretos finalmente mostrando as suas garras e suas verdadeiras
motivações. Naquele mesmo dia à tarde o Nizan me telefonou aqui na agencia. Como eu não o atendi, deixou, literalmente, o seguinte recado
com a Sueli: "Diga ao Fábio que ele é viado, frouxo, que ele me bate em público mas se ele for homem que telefone para mim!"
Disse também, mais tarde, em um jantar com pessoas que me conhecem que "Eu só não bati em Fábio Fernandes porque ele estava
maquiado - e eu não bato em homem maquiado". Para os que não entenderam o enigma (como eu, que fui perguntar a uma pessoa
que o conhece) ele acha que eu... passo lápis nos olhos. Sim, acreditem. Alguém, inclusive, já o ouviu relatando que alguém lhe contou
que uma certa vez, sob a chuva, o lápis dos meus olhos borrou e eu corri para colocar os óculos escuros.... :-)))))
Inacreditável, mas é a mais pura verdade. Foi a esse ponto que esse sujeito chegou.
Por isso mesmo eu resolvi escrever a todos vocês sobre isso. Porque o que eu tenho a dizer sobre ele é bem pior do que seria
se ele apenas usasse lápis para ressaltar os seus lindos olhos. O que eu tenho a dizer sobre ele é claro, verdadeiro, profundo e cabal.
Fico feliz de não me maquiar, mas não teria problema nenhum em admití-lo se, ainda que absurdo, isso fosse verdade.
O duro para ele deve ser ouvir o que eu penso - e que a cada dia mais gente vem me dizer que foi bom eu dizê-lo porque é
o que quase todo mundo pensa - e, mesmo sendo a mais aguda verdade, não poder admití-lo.
Porque é revelador, comprometedor e devastador.
O rei está nu. E eu sei que ele não é de nada.
Fabio Fernandes
F/NAZCA SAATCHI & SAATCHI
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